não há que se falar em

gvergara

Senior Member
Castellano (variedad chilensis)
Olá:

Gostaria muito da tradução dessa oração, mas principalmente gostaria de compreender o sentido do pronome se. Contexto: A juíza que condenou o presidente do Brasil a pagar R$20 mil a uma jornalista por danos morais explica as razões que a levaram a declará-lo culpado. O artigo do periódico Folha de São Paulo diz:

Segundo ela, "não há que se falar em liberdade de expressão ou de pensamento, pois não é ilimitada, devendo observar o direito alheio, específicamente a intimidade, a honra e a imagem da vítima".

O meu intento é: Según ella, "no se trata de libertad de expresión o pensamiento, ...",mas gostaria de ler opiniões de pessoas que compreendam a oração melhor do que eu.

Muito obrigado,

G.
 
  • gato radioso

    Senior Member
    spanish-spain
    No se trata de...
    No estamos hablando de...
    No está en cuestión...


    Yo diría que el "se" es útil y natural para dar idea de generalidad e impersonalidad, es decir, que no es lo que una persona en concreto deba hablar, sino que es una expresión genérica, impersonal, referida al común de la sociedad pero a nadie en concreto. Así se refuerza que la idea que sigue no depende de la subjetividad de nadie en especial, sino que de forma objetiva y referida a todo el mundo, puede afirmarse que la libertad de pensamiento no tiene nada que ver con la cuestión debatida.
     

    zema

    Senior Member
    Español Argentina
    No difiere demasiado de las propuestas de Gato, pero para mis oídos legos volvería más inteligible la frase entera traducir:

    ...no cabe hablar de libertad de expresión o de pensamiento...

    "Não há (que)"
    he visto que en lenguaje jurídico suele tener un sentido de "no cabe" o "no es posible".

    El "se" creo que no es necesario en esa frase, algunos recomiendan incluso no emplearlo, pero tendría un efecto apasivador. En español sería más común con otro verbos, por ejemplo:

    No cabe entender tal omisión como premeditada...
    No cabe entenderse tal omisión como premeditada...
     

    S.V.

    Senior Member
    Español, México
    Si fue 'más moderna' su adopción (Bechera), quizás también podemos comparar hay que hablar con debe, tiene que hablarse, en que la conjugación no aclara por sí sola que sea impersonal, como esa y en hay que y la pérdida de haber con otras acepciones.

    Estaría a medio camino y daría ambas estructuras.
     
    Last edited:

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    "Não há (que)" he visto que en lenguaje jurídico suele tener un sentido de "no cabe" o "no es posible".

    Ou de 'não há obrigação de/não se está obrigado a'. Não é especificamente jurídico em nenhuma das acepções, se bem que, quando se fala em obrigações...
     

    zema

    Senior Member
    Español Argentina
    Ou de 'não há obrigação de/não se está obrigado a'. Não é especificamente jurídico em nenhuma das acepções, se bem que, quando se fala em obrigações...
    Gracias, Carfer, como siempre :thumbsup:

    Lo de "no cabe" o "no es posible" lo tomé de este artículo, de lo que se explica en 2) y 3) para "não há (que) + infinitivo", con que optativo.

    En 4) se habla de un "há que + infinitivo", con que obligatorio, con sentido de "é preciso" o "é necessário".

    Pero a mis oídos legos -reitero esto porque son muy legos- la frase de la jueza resulta más parecida a los ejemplos que se citan en 2) y 3).
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Gracias, Carfer, como siempre :thumbsup:

    Lo de "no cabe" o "no es posible" lo tomé de este artículo, de lo que se explica en 2) y 3) para "não há (que) + infinitivo", con que optativo.

    En 4) se habla de un "há que + infinitivo", con que obligatorio, con sentido de "é preciso" o "é necessário".

    Pero a mis oídos legos -reitero esto porque son muy legos- la frase de la jueza resulta más parecida a los ejemplos que se citan en 2) y 3).

    A sugestão que fiz veio como acrescento às acepções 'no cabe', 'no es posible'. Não queria dizer que essas duas eram inválidas ou que, no caso, o significado não era o de 'não cabe', porque é.
    Em Portugal, desconheço essa variante com 'que' optativo seguido de infinitivo. Cá não se usa, - ou, pelo menos, nunca a encontrei nas dezenas de anos de tribunais e de vida - e em todas as expressões com esses significados o 'que' é obrigatório', quer na linguagem jurídica, quer na comum (pelo menos não me ocorre nenhuma excepção. Não estou a referir-me, obviamente, aos casos em que 'não há'+ infinitivo significa simplesmente 'não existe'):
    - 'Não há que ('no cabe') considerar a aplicabilidade da lei x' (a lei x não é pertinente para a decisão do caso em questão)
    - 'Tendo transitado a decisão sobre x, não há que nos pronunciar(mos) sobre os factos nela dados como assentes' (aqui significa 'não é possível', uma vez que o trânsito impede nova pronúncia, mas já poderia ser 'não é necessário', 'não é obrigatório' se a situação fosse diferente: 'Estando já suficientemente estabelecido que... (um facto qualquer), não há que apreciar se... (ocorreu outro facto, que nada acrescenta, que viria "chover no molhado", contrariando a regra da economia processual).
    É escusado dizer que estas considerações valem, a contrario sensu, para o uso na afirmativa.

    Mas, além dessas, temos por cá outra variante que vai dar ao mesmo em termos de significado útil: '(Não) há como' +infinitivo, significando não há maneira, o que evidentemente, na prática equivale a dizer que não é possível.
    Por último, só acrescentaria que, não havendo nada a apontar em termos de correcção a esse 'Não há que falar-se', o habitual deste lado é 'Não há que falar' (e 'habitual' só quer dizer isso mesmo, e não, de modo algum, que 'falar-se' esteja proscrito)
     

    zema

    Senior Member
    Español Argentina
    A sugestão que fiz veio como acrescento às acepções 'no cabe', 'no es posible'. Não queria dizer que essas duas eram inválidas ou que, no caso, o significado não era o de 'não cabe', porque é.
    Em Portugal, desconheço essa variante com 'que' optativo seguido de infinitivo. Cá não se usa, - ou, pelo menos, nunca a encontrei nas dezenas de anos de tribunais e de vida - e em todas as expressões com esses significados o 'que' é obrigatório', quer na linguagem jurídica, quer na comum (pelo menos não me ocorre nenhuma excepção. Não estou a referir-me, obviamente, aos casos em que 'não há'+ infinitivo significa simplesmente 'não existe'):
    - 'Não há que ('no cabe') considerar a aplicabilidade da lei x' (a lei x não é pertinente para a decisão do caso em questão)
    - 'Tendo transitado a decisão sobre x, não há que nos pronunciar(mos) sobre os factos nela dados como assentes' (aqui significa 'não é possível', uma vez que o trânsito impede nova pronúncia, mas já poderia ser 'não é necessário', 'não é obrigatório' se a situação fosse diferente: 'Estando já suficientemente estabelecido que... (um facto qualquer), não há que apreciar se... (ocorreu outro facto, que nada acrescenta, que viria "chover no molhado", contrariando a regra da economia processual).
    É escusado dizer que estas considerações valem, a contrario sensu, para o uso na afirmativa.

    Mas, além dessas, temos por cá outra variante que vai dar ao mesmo em termos de significado útil: '(Não) há como' +infinitivo, significando não há maneira, o que evidentemente, na prática equivale a dizer que não é possível.
    Por último, só acrescentaria que, não havendo nada a apontar em termos de correcção a esse 'Não há que falar-se', o habitual deste lado é 'Não há que falar' (e 'habitual' só quer dizer isso mesmo, e não, de modo algum, que 'falar-se' esteja proscrito)
    Impecable explicación, Carfer, muchísimas gracias! Había entendido que era otra significación posible, sólo no estaba seguro si había o no una sugerencia de que encajaría mejor en este caso de la frase de la jueza.
    Ahora me quedó clarísimo :thumbsup:
     

    metalzoa

    New Member
    Portuguese (Brazil)
    A sugestão que fiz veio como acrescento às acepções 'no cabe', 'no es posible'. Não queria dizer que essas duas eram inválidas ou que, no caso, o significado não era o de 'não cabe', porque é.
    Em Portugal, desconheço essa variante com 'que' optativo seguido de infinitivo. Cá não se usa, - ou, pelo menos, nunca a encontrei nas dezenas de anos de tribunais e de vida - e em todas as expressões com esses significados o 'que' é obrigatório', quer na linguagem jurídica, quer na comum (pelo menos não me ocorre nenhuma excepção. Não estou a referir-me, obviamente, aos casos em que 'não há'+ infinitivo significa simplesmente 'não existe'):
    - 'Não há que ('no cabe') considerar a aplicabilidade da lei x' (a lei x não é pertinente para a decisão do caso em questão)
    - 'Tendo transitado a decisão sobre x, não há que nos pronunciar(mos) sobre os factos nela dados como assentes' (aqui significa 'não é possível', uma vez que o trânsito impede nova pronúncia, mas já poderia ser 'não é necessário', 'não é obrigatório' se a situação fosse diferente: 'Estando já suficientemente estabelecido que... (um facto qualquer), não há que apreciar se... (ocorreu outro facto, que nada acrescenta, que viria "chover no molhado", contrariando a regra da economia processual).
    É escusado dizer que estas considerações valem, a contrario sensu, para o uso na afirmativa.

    Mas, além dessas, temos por cá outra variante que vai dar ao mesmo em termos de significado útil: '(Não) há como' +infinitivo, significando não há maneira, o que evidentemente, na prática equivale a dizer que não é possível.
    Por último, só acrescentaria que, não havendo nada a apontar em termos de correcção a esse 'Não há que falar-se', o habitual deste lado é 'Não há que falar' (e 'habitual' só quer dizer isso mesmo, e não, de modo algum, que 'falar-se' esteja proscrito)
    É bem por aí. Creio que seja algo como: "Não tem (não existe) motivos para se falar"...
     
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